Uma das funções da pesquisa de mercado é antever comportamentos que se tornarão relevantes na sociedade e, com isso, encontrar oportunidades de desenvolvimento de produtos, linhas de comunicação de marcas ou até mercados inteiros que se desenvolverão.
Movimentos de grandes empresas como compra ou venda de marcas não são baseadas em achismos. Grandes apostas merecem bons dados e uma boa análise de tendências e cenários. Para o bem ou para o mal, apostar certo gera dinheiro e muitos empregos.
Que tipo de dados podemos usar para identificar tendências? E, com esses dados em mão, como saber se é ou não uma tendência com potencial de ser relevante?
Alguns atalhos mentais usados para identificar e prever tendências tendências:
-
Impactos em demografia
Dados de pesquisa que apontam impactos em nascimento, mortalidade, longevidade e configuração de famílias são um dos principais marcadores de tendências de mercado.
Recentemente, numa pesquisa com jovens de 18 a 35 anos que fizemos, 35% deles afirmaram que não pretendem ter filhos por conta dos problemas do mundo (guerras, aquecimento global etc.). Há 10 anos, esse número era de 28%.
Se ? dos jovens, em idade reprodutiva não quer ter filhos, além de mexer na pirâmide social, é possível projetar impactos em vários setores. Por exemplo, pode-se projetar que o mercado de pets seguirá em crescimento.
Como o ser humano é programado para o afeto, os bichinhos seguirão em alta para afagar a necessidade de carinho incondicional que nós humanos precisamos.
-
Observar o comportamento das crianças
Em pesquisas de mercado, as crianças são praticamente invisíveis apesar de movimentarem um mercado gigantesco. Se escutassem as crianças, as lojas esportivas teriam uma sessão inteirinha de futebol infantil com muito mais variedade do que está disponível.
É difícil pesquisar crianças, até por temas jurídicos, mas é bem possível falar com pais, professores e profissionais que lidam com elas o tempo todo.
Seguindo a linha de futebol, é possível ver que para as crianças uma camiseta de um time europeu tem mais valor que uma camiseta do próprio time do coração aqui do Brasil. Daqui a 10 anos, o que esses jovens adultos estarão consumindo? Que campeonato estarão assistindo? Temo muito pelos já endividados times brasileiros.
-
Pensamento Macroeconômico
Em macroeconomia, estuda-se os efeitos de comportamentos coletivos nos mercados. Por exemplo, se todo mundo começar a consumir mais álcool em gel (passamos por isso), mas a oferta do produto não consegue aumentar no mesmo ritmo, logo veremos o aumento do preço do item. Aqui, nunca se olha o comportamento de um indivíduo, mas de vários fazendo a mesma coisa em um período de tempo.
Gosto de usar esse pensamento para prever tendências ao projetar o que pode acontecer se mais pessoas agirem da forma como identificado em uma pesquisa e daí tentar imaginar o que elas vão precisar em decorrência desse comportamento.
Em outra pesquisa recente, usando narrativas, observamos um desânimo geral da juventude em relação ao futuro. Esse desânimo crescente pode impactar diretamente investimentos gerais, do mercado financeiro ao imobiliário. Se muita gente se comportar assim, isso pode levar a um agravamento maior de consumismos efêmeros.
-
Aderência de narrativas
Essa é menos óbvia e envolve entender quais são as narrativas predominantes de um grupo social. Cientistas sociais são craques em identificar isso. Ao contrário dos jornalistas, que buscam histórias excepcionais, esses profissionais estão atrás do que é padrão.
O mercado de pesquisa, em geral, usa as famosas etnografias em campo. No PiniOn, propomos perguntas abertas para respostas em áudio, na sequência as transcrevemos e organizamos com ajuda de inteligência artificial e assim conseguimos já fazer análises de narrativas em escala, metrificada e em apenas alguns dias.
Em 2020, com um estudo de narrativas, divulgamos que o whatsapp estava sendo o marketplace da classe C. Ouvimos relatos recorrentes de pessoas que, no meio da pandemia, transferiram a relação da vendinha do bairro para o whastapp.
Em 2023, com pesquisa quantitativa, identificamos que o principal concorrente de Ifood em entregas não era o Rappi e sim o whatsapp.
-
Análise de emoções e sentimentos
Nós, seres humanos, queremos acreditar que somos racionais. Na verdade, tomamos a maioria das nossas decisões baseados em nossas emoções. Depois achamos os argumentos racionais para justificar o que queremos fazer.
Durante a pandemia, aqui no PiniOn, coletamos semanalmente com 1000 pessoas como elas estavam se sentindo. Com ajuda de IA, transcrevermos os áudios e metrificamos as emoções (IA de emoções proprietária do PiniOn). Depois, com modelagem estatística, conseguimos prever o índice de Potencial de Consumo da FGV com 15 dias de antecedência e apenas uma pergunta.
Mas nem é preciso uma modelagem sofisticada para fazer algumas previsões baseada nas emoções. Sentimentos de ansiedade e isolamento, por exemplo, já são vistos de forma generalizada em narrativas dos jovens em relação ao futuro do mundo. Ainda sem saber como, eles clamam por mais conexão humana. O que leva a reflexões importantes em termos de análise de tendências:
- Chegamos no fundo do poço do isolamento?
- Os jovens darão um basta e ampliarão movimentos ainda nichados já vistos em outros países de saírem conscientemente das redes sociais?
Contudo, em análise de tendências, nem tudo é resposta fechada. Mas esses pontos de reflexão são super importantes para o desenvolvimento de possíveis cenários futuros.
Aliás, prever tendências nos levam a cenários, mas isso fica para o próximo texto.
Entre em contato com um de nossos profissionais e saiba como a sua empresa pode prever tendências para o setor.
Erro: Formulário de contato não encontrado.





